sábado, dezembro 22, 2007

Dizem que quando alguém busca um bom livro que ajude a entender as coisas da vida, não encontra o livro, e sim o livro que encontra a pessoa.
Dois grandes livros me encontraram, O ALQUIMISTA-Paulo Coelho e O LOBO DA ESTEPE-Hermann Hesse. Neste último, que li em Janeiro de 2007, encontrei um pouco de mim. Com ele consegui me conhecer melhor. Entendi algo que havia em mim que eu não sabia esplicar. Em um primeiro momento foi triste, mas depois me encontrei.
Segue abaixo um trecho do livro. São somente alguns dos fragmentos em que me encontrei:

Era uma vez um certo Homem, chamado o Lobo da Estepe. Andava sobre duas pernas, usava roupas e era um homem, mas não obstante era também um lobo das estepes. Havia aprendido uma boa parte de tudo quanto as pessoas de bom entendimento podem aprender, e era bastante ponderado. O que não havia aprendido, entretanto, era o seguinte: estar contente consigo e com sua própria vida.
(...) Seu coração, sabia sempre (ou julgava saber) que não era realmente um homem e sim um lobo das estepes. As pessoas argutas poderão discutir a propósito de ser ele realmente um lobo, de ter sido transformado, talvez antes de seu nascimento, de lobo em ser humano, ou de ter nascido homem, porém dotado de alma de lobo ou por ela dominado; ou, finalmente, indagar se essa crença de que ele era um lobo não passava de um produto de sua imaginação...
(...) O Lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas, uma de homem e outra de lobo.
(...) O homem e o Lobo convivem normalmente e nenhum causa ao outro qualquer dano; ao contrário, um ajuda ao outro, e levou essa condição a tais extremos a ponto de dever sua felicidade mais ao Lobo que nele havia, do que ao próprio homem.
(...) Mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras.
(...)Cada espécie de homens tem suas características, seus aspectos, seus vícios e virtudes e seus pecados mortais.
(...) Encontro em mim um "homem", ou seja, um mundo de pensamentos, de sensações, de cultura, de natureza domada e sublimada, e vê também, ao lado de tudo isto, um "lobo", ou seja, um obscuro mundo de instintos, de selvagerismo e crueldade, de natureza bruta e insublimada...O homem não é uma forma fixa e duradoura...é antes um ensaio e uma transição, não é outra coisa senão a estreita e perigosa ponte entre a Natureza e o Espírito...Todo homem é uno quanto ao corpo, mas não quanto à alma.

( O lobo da Estepe (Tratado do Lobo da Estepe) - Hermann Hesse )

3 comentários:

Investigadora do Sobrenatural disse...

Tenho que dizer, assim como você também pude encontrar um pouco de mim.
Pretendo ler esse livro acho que vou me identificar muito com ele.

William Baptista disse...

^^ O Lobo da Estepe talvez seja um livro dificil de entender, daquele tipo de livro que cada um entende de sua maneira, e pega pra si um pedaço ou total dele.
Dependendo de quem leia, não é só uma história...
recomendo, e peço que seja forte ^^

Investigadora do Sobrenatural disse...

Claro que serei forte, afinal somos ou não LOBOS, apesar da tristeza que as vezes nos sufoca nos mantemos firmes, e quando achamos necessário damos novo triste/belo/marcante/sincero grito ao qual o mundo faz ecoar como nenhum outro.
Tenho certeza que vou gostar do livro brigada, você também. ^^