A porta para os invasores
Na última noite ocorreu um fato estranho.
Estava eu novamente em mais um dia sozinho, sem pessoas por perto, sem ouvir vozes, sem internet, sem ninguém para conversar. Novamente mais uma noite assim. A única coisa que eu presenciava além dos barulhos estranho da casa, era meus próprios barulhos, minha respiração, meu coração batendo.
No silêncio da noite, um pensamento puxou um sentimento, que puxou lembranças, que chamou mais pensamentos, e minha mente foi invadida por questões que eu havia esquecido, questões que eu tentava esquecer, questões que eu nem havia pensado. Solidão é a porta para os invasores, e assim houve em minha mente uma invasão de pensamentos, e simplesmente perdi o controle.
Perdi o controle de mim. Tudo aquilo em minha cabeça, questões querendo resposta, respostas perdidas sem perguntas, fatos que me expuseram ao ridículo, fatos que me elevaram à altitudes que eu nunca imaginaria, fatos que me entristeceram, outros que me alegraram, sentimentos que corromperam minha alma, e outros que só me trouxeram felicidade e me levaram ao paraíso. Perdi o controle.
Perdi o controle. Lembro-me de não conseguir me concentrar, havia um furor dentro de mim, uma mistura de alegria, tristeza e raiva. Aquilo bagunçou comigo.
Comecei a chorar como se aquelas coisas ruins tentassem se expressar. Eu estava sozinho. Perdi o controle e cheguei até a gritar, mas estava sozinho e não havia alma por perto para escutar. Eu falava comigo mesmo.
Fazia perguntas para mim. Respondia à mim. Eu sentia todas aquelas coisas em meu âmago e chorava e gritava, sem entender a razão. Simplesmente parecia que tudo de ruim em meus pensamentos me atacava de uma única vez. De repente comecei a rir.
Perdi o controle e comecei rir. Enquanto eu chorava eu ria desesperadamente alto. Não sei do que eu ria. Sei que eu chorava devido todos os males que ocorreram e que ainda acontecem em minha vida e porque aquilo tudo invadiu meus pensamentos em um ataque só. Mas não entendia o porque das risadas.
Acho que eu ria dessa minha condição de ser rastejante, eu ria da pessoa em que me transformei, ria da razão de eu escrever coisas em um blog, ria do meu falso sucesso na vida, ria da minha decadência, ria por eu estar chorando, ria por não conseguir me olhar no espelho, ria por sentir tantas coisas e não ter controle.
Eu ria de minha condição, da minha solidão, de como eu fingia estar bem para a sociedade, em como eu me contento com poucas coisas, ria por ser uma pessoa manipulável, por poder chegar aos céus mas não ter forças para sair do chão, ria dos meus atos por amor e amizade, ria das minhas desgraças, da minha solidão, dos caminhos tolos e do que sem querer acertei. Ria por me sentir um bosta e mesmo assim sempre tentar fazer algo bom ou achar que podia.
Eu ri do meu descontrole, da minha vida.
Ri e chorei loucamente.
LOUCAMENTE.
Não sei quanto tempo fiquei nisso. Talvez mais de dez minutos, não sei. Sei que quando consegui me concentrar em algo, eu tive vergonha daquilo tudo, me senti confuso, senti que eu havia enlouquecido. Minha alienação foi muito grande. O mundo tomou outra forma perante meus olhos. Comecei a enxergar as coisas de outra forma. Não ''enxergar pelo olho'', mas sim a forma de entender.
Eu pensei que eu havia ficado louco. De alguma forma algo mudou, ficou diferente. Não sei. Parecia que havia tomado uma injeção de adrenalina. Eufórico e cansado.
Fui dormir com enxaqueca.
Noite horrível.
O outro dia foi difícil....
Agora parece que várias lembranças estão afloradas em minha mente, parecem que estão por detrás de cortinas que as vezes vem o vento e assopra, mostrando os fatos passados e recentes. Como se eu houvesse aberto a Caixa de Pandora, ou apenas entendido um pouco mais de minha realidade.
Algo mudou.
Não sei.
Talvez eu tenha perdido algum parafuso, ou talvez adicionado mais um.
Ou apenas tenha jogado tudo para fora...
Quem sabe...

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