Mas era eu mesmo.
Pode ser engraçado mas comecei a chorar, e fui olhando para aquela face estranha.
Era eu.
Um Eu que não deveria existir.
Não encontrei os olhos grandes e cheios de vida que eu tinha, mas encontrei olhos mortos, sem vida, vazios como se tivessem perdido tudo. Isso me deixou muito triste, e chorei espontaneamente sem dar tempo para qualquer pensamento à respeito do que eu via.
Olhando mais, vi o excesso de fios brancos. Isso não me preocupa, mas junto do resto do que vi só piorou o rosto sem vida.
Minha face. Nunca fui um primor de beleza, mas também nem tão ruim como muitos. Mas diante de tanta coisa ruim na vida, eu tinha que ter Psoríase , pele que inflama, fica vermelha, derrete, seca... Não é a pior coisa que eu poderia ter, sei que tem pessoas com doenças incrivelmente piores, mas essa machuca o meu Eu, minha estima. Nunca tive boa auto-estima, e agora isso ficando cada vez mais forte só me deixa mais pra baixo. Falto à aulas e até no trabalho quado é possível... e quando não é evito o máximo sair de meu departamento. Já não sou um primor de pessoa, e com isso fico mais terrível, com rosto vermelho, machucado.
Juntando Psoriase ao resto de minha aparência e sentimentos tristes,
um monstro surge.
Um monstro que não reconheci. E chorei.
Sei bem que isso é apenas casca, mas também sei bem que oque está dentro dela também está apodrecendo aos poucos. São muitas coisas acumulando-se, e eu tentando fingir que está tudo bem, tentando seguir como qualquer outra pessoa, criando planos, talvez possíveis futuros, tentando criar esperança deixando de lado as coisas ruins e pensando só nas boas coias da vida.
Parei de olhar para dentro.
Mas hoje eu vi fora e dentro. E chorei.
Na verdade sinto tudo morrer a tempos mas parei de pensar nessas coisas para poder seguir em frente. Só que o silencio da noite me trás oque não desejo.
Vejo e penso oque não quero.
Mais uma pequena parte apodrece.
E meu eu chora em silêncio.
Até o lobo com sua fúria está morrendo, alimentando de si mesmo.
Não sei onde isso vai parar.
Não penso nessas coisas a tempos e vou continuar a tentar não pensar.
Queria não ver a figura do espelho.
Queria ver um sorriso, um olhar brilhante, rugas de alegria,
talvez
um semblante de paz.

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